Prancha: trilha de rebanho entre pastos. Imagem nomeada reservada para o passe de ativos; o percurso abaixo não depende dela.

O Salmo 23, versículo por versículo

Seis versos, seis paradas. Em cada uma: o texto, o que a imagem descrevia na rotina de um pastor real e o que Matthew Henry — o comentarista inglês do início do século XVIII — viu nela.

Versículo 1 — a declaração

Salmo 23:1 · Nova Versão Internacional O Senhor é o meu pastor; de nada terei falta.

Matthew Henry abriu suas notas sobre este salmo com um contraste: muitos dos salmos de Davi estão cheios de queixas, mas este está cheio de consolos. A imagem do pastor não era sentimento emprestado. Houve um tempo em que o próprio Davi foi pastor, lembra Henry — um homem que certa vez arriscou a vida para resgatar um cordeiro e que por isso conhecia por experiência os cuidados e as ternas afeições de um bom pastor para com o seu rebanho.

Versículo 2 — pasto e água

Salmo 23:2 · Nova Versão Internacional Ele me faz repousar em pastagens verdejantes e me conduz a águas tranquilas;

Os pastos verdes, argumenta Henry, dizem tanto de quem come quanto do campo: A maior abundância não passa de pasto seco para o ímpio, enquanto o contentamento faz verdejar até um campo pequeno. As águas tranquilas ele define por contraste — Deus conduz o seu povo não às águas paradas, que apodrecem e juntam imundícia, não ao mar revolto, nem às torrentes rápidas e caudalosas, mas às águas mansas e murmurantes.

Versículo 3 — o resgate

Salmo 23:3 · Nova Versão Internacional restaura‑me o vigor. Guia‑me pelas veredas da justiça por amor do seu nome.

O restaurar da alma é um pastor indo atrás da ovelha desgarrada — Nenhuma criatura se perde mais depressa do que uma ovelha —, mas, embora Deus possa deixar que o seu povo se desvie, diz Henry, não permitirá que permaneça caído nisso.

Versículo 4 — o desfiladeiro

Salmo 23:4 · Nova Versão Internacional Mesmo que eu ande por um vale de densas trevas, não temerei perigo algum, pois tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me confortam.

O versículo mais famoso do salmo fala de uma caminhada que ninguém escolheria. Matthew Henry percebeu que apenas uma palavra nele soa terrível — morte — e então enumerou as palavras que encolhem o terror: é sombra, é vale, é caminhada, e é caminhada através. É uma caminhada suave e agradável, não uma fuga; as ovelhas não se perderão neste vale. A morte continua sendo, concede Henry, um rei dos terrores, mas não para as ovelhas de Cristoela mata o corpo, mas não pode tocar a alma, e o bom pastor não somente conduzirá, mas escoltará as suas ovelhas através do vale.

Versículo 5 — a mesa

Salmo 23:5 · Nova Versão Internacional Preparas um banquete diante de mim na presença dos meus inimigos. Unges a minha cabeça com óleo, e o meu cálice transborda.

A metáfora muda: do pasto para a tenda, do pastor para o anfitrião. A mesa preparada e o cálice que transborda Henry leu como abundância que já pensa em companhia: o bastante para mim e também para os meus amigos. O óleo na cabeça era cortesia devida ao hóspede de honra; o detalhe inquietante — e deliberado — é que tudo isso acontece com os inimigos ainda à vista.

Versículo 6 — a perseguição invertida

Salmo 23:6 · Nova Versão Internacional Certamente a bondade e o amor leal me seguirão todos os dias da minha vida, e habitarei na casa do Senhor para sempre.

A bondade e a misericórdia do último versículo Henry desdobrou em misericórdia que perdoa, misericórdia que protege, misericórdia que sustenta, misericórdia que supre, chegando com a regularidade da manhã — novas a cada manhã. Seu resumo do final do salmo soa como um homem fazendo a aritmética da graça: Com o que tenho, muito me alegro; com o que espero, alegro-me ainda mais. E então, com algo próximo de um riso: Tudo isso, e o céu ainda por cima! Então servimos a um bom Mestre.